Manhã de café de café da manhã
Hoje é manhã de domingo. Amanhã este dia será apenas um fluído de lembrança enclausurada na memória e no coração. A casa está quase silenciosa, apenas cortada por um fio de violão que apazigua a manhã.
Sobre a mesa, há um café posto a espera. Sucos, pães, gergelins, iogurtes de dois sabores e bolachas com pequenos pedaços de chocolate.
A casa é povoada por milhões de aflitos em um homem só. O adolescente que enquanto aguarda o retorno de sua amada, anda pela sala e quarto. Valsa com ela em sua imaginação. Brinca como um menino.
Apenas o tic tac do relógio tenta insistentemente tirar sua atenção.
O som do elevador avisa que alguém aportou naquele porto-décimo-andar-paulistano. Outro saveiro que trazia outras pessoas. Uma senhora com seu cachorro sonolento talvez. O homem, adolescente, menino ainda aguarda.
Aquela manhã ainda ainda tirava suas remelas dos olhos e ainda havia tempo tempo para lembrar o porque daquela tão ansiosa espera. E lembrou.
Lembrou que ontem haviam chegado tarde em casa, pois tinham ido no aniversário da tia-avó dela. Lembrou naquela família tipicamente italiana. A confusão das vozes convergiam todas apenas no sorriso dela. Muitos falavam, mais ainda os que brincavam com aquele novo namorado e o faziam mais vermelho que um tomate-verde-frito.
Sorriu.
Então, ele começou rememorar a primeira vez em que pisou naquele apartamento onde agora seu coração teimava ficar apertado. Lembrou que errou o andar e tocou a campanhia de uma senhora às 11 horas da noite. Talvez a mesma senhora com o cachorro sonolento.
Espreguiçou.
Então começou a lembrar de como se conheceram, de quantas risadas deram juntos e o quanto haviam sido felizes até aquela manhã de domingo. Lembrou que com aquela garota havia sido feliz como há muito não tinha sido. Que ela havia feito ele acreditar que é possível duas pessoas estarem juntas sem brigar, sem cobrar. Quando se deu conta, percebeu que estava apaixonado e que isso haviam se passado apenas alguns meses.
Foi mais longe e lembrou aquelas épocas de solidão sem sol. Em que via casais andando pelos parques enquanto ele sozinho jogava pedra no lago.
De tanto pensar no passado esqueceu que o presente também havia passado. Por trás dele dois braços se envolveram em um abraço. Um beijo silenciou ainda mais aquela manhã de café da manhã de domingo.
This entry was posted on 11:17 AM
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1 comentários:
olha o que o amor é capaz de fazer com um homem... parabéns Danilão... texto lindo ....
bj Amanda
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